terça-feira, 5 de agosto de 2008

As Garotas do Alceu


Pouca gente já ouviu falar de Alceu Penna, mineiro de Curvelo que fez parte do maior fenômeno editorial do século XX, entre os anos de 1928 e 1983, a revista O Cruzeiro. Ilustrador de mão cheia, Alceu abandonou a carreira como arquiteto para se dedicar às ilustrações de moda. Persistente, visitou várias vezes a redação da revista na época chefiada por Accioly Neto, com o intuito de vender suas ilustrações. Accioly enxergou no seu trabalho um artista “com traço hábil e um estilo diferente”. Nascia aí uma parceria que duraria décadas.


“As Garotas do Alceu”, no entanto, nasceram da idéia do chefe da redação de O Cruzeiro, que precisava fazer com que o veículo, focado no público feminino, também atraísse a atenção masculina. Inspirado pelas pin-ups americanas do jornal The Saturday Evening Post, as Gibson Girls, de Charles Dana Gibson, Accioly sugeriu a Alceu que fizesse trabalho semelhante, mas com estilo brasileiro. O anúncio publicado nos jornais da rede Diários Associados descrevia bem “As Garotas”:

“ ‘As Garotas’ são a expressão da vida moderna. ‘As Garotas’, endiabradas e irrequietas, serão apresentadas todas as semanas em O Cruzeiro, desenhadas por Alceu, o mais malicioso e jovem dos nossos artistas. ‘As Garotas’, em duas páginas em cores, constituem um dos hits de O Cruzeiro, a revista que acompanha o ritmo da vida moderna.”



Foi um sucesso. A partir daí Alceu se encontraria com celebridades da época como Carmem Miranda e Walt Disney. Mas ele ainda desempenharia papel importantíssimo durante a Segunda Guerra. Com Paris, capital mundial da moda dominada pelos alemães, o Brasil (e o resto do mundo) sofreriam enormemente com a falta de material vindo da capital francesa. A solução mais uma vez veio de Acciloy Neto: Alceu Penna se tornaria então estilista, dando ênfase à criação dos trajes de suas Garotas. No final da década de 50 era também o maior crítico de moda do país.



Alceu termina seus dias sem desenhar, devido a um aneurisma cerebral. Contrariado, afirma que suas garotas haviam sido substituídas por outras de carne e osso, “não tão cultas e inteligentes como as suas”. A partir do dia 13 de janeiro de 1980, morria também a possibilidade de novas garotas de Alceu.

“Como vai ser daqui para frente?
Ninguém sabe.
Ou tem um cínico que sabe.

Aquele que disse que se a barra das saias continuar a subir tanto e o decote continuar descendo tanto, ele quer está vivo e bem disposto no dia em que se der o encontro.

Ele só pode ser um cínico.
Ou um sábio”

(Alceu Penna)

*Quer saber mais sobre o Alceu? Leia Alceu Penna e as Garotas do Brasil, do autor Gonçalo Junior.

6 comentários:

Claudia Pimenta disse...

oi ana helena! que post ótimo - nada como mostrar ao pessoal "mais jovem" um pouco deste gênio! acho o trabalho dele maravilhoso - marcou toda uma geração, assim como ocupa um lugar super importante na história da moda brasileira! bjs!!!

Helena Castro disse...

que máximo essa história e o trabalho dele!!!!! genial!!!!!!

beijos, helena

Luciana disse...

Nossa eu sabia um pouco mas não tudo assim tão bem resumido.

Acho que hj, não se tenha grandes nomes em ilutração de moda que tenha esse objetivo como sutil, uma especie de revista em quadrinho da moda.

Beijocas Lu

Francielle da Maia disse...

Adooorei a matéria..o trabalho do Alceu é ótimo..estudei sobre ele jáá..muito legal mesmo..essencial ter conhecimento do trabalho dele mesmo!!! Prababéns por esta matéria!!!

Falando do meu post..como eu queria me vestir estilo preppy..mto lindo néé.. haha

Atualizeii..beijos.

Marta De Divitiis disse...

Adoro Alceu e seus traços maravilhosos!!! Adorei esse post!!!

Anônimo disse...

Amo o trabalho do Alceu!!!É perfeito!
Me inspiro nele para criar minhas ilustrações!
É sempre bom relembrar talentos!
Nati Volpe