sábado, 20 de abril de 2013

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

How Bizzare!

Andrew Yang é um designer baseado em Nova York e famoso por suas bonecas bizzaras. Feitas por encomendas, elas medem cerca de 50 cm e se vestem melhores que muitas mulheres de verdade.


Marc Jacobs, liderando

Evelyn Mercier


Lanvin

Cora and Clarice


(bizzarra!!!!)


Ann Demeulemeester e Givenchy


Ave Maria!

Katie Eary, Gareth Pugh (adoooro!) e Rick Owens

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

The Beatles Music Television


Os fãs do videoclipe, fenômeno dos anos 80 e 90, não imaginam que o formato vídeo+música teve sua origem em plena Beatlemania. Brian Epstein, empresário da banda, criou minuciosamente um plano de merchandising para vender os quatro rapazes de Liverpool. Dentre as estratégias, fazer com que John, Paul, George e Ringo trocassem o visual operário do norte da Inglaterra por ternos e fossem vistos como modelos de bom comportamento. Além disso, cada disco era acompanhado pelo lançamento de uma série de produtos, como camisetas, cintos, botoms e o que mais fosse possível estampar com o rosto dos "Fab Four".
Outra estratégia usada por Brian Epstein era a criação de filmes que tivessem como personagens principais os Beatles. O primeiro deles, a Hard Day’s Night, (no Brasil, Os Reis do Iê Iê Iê), pretendia popularizar a banda nos Estados Unidos, mercado consumidor que os Beatles estavam começando a conquistar. No filme, os quatro rapazes de Liverpool aparecem correndo de uma multidão de fãs descontroladas. As cenas, editadas em perfeita sintonia com a trilha sonora, davam os primeiros passos em direção à estética do videoclipe.
Mas o fator predominante para que os Beatles investissem cada vez mais no cinema e na TV foi a decisão de parar de se apresentar em público. Cansados dos gritos histéricos das fãs, que na maioria das vezes abafavam a música, os Beatles investiram cada vez mais no cinema e na televisão para divulgar o seu trabalho. Outro fator importante foi a criação de arranjos e efeitos musicais criados em estúdio em conjunto com o produtor George Martin, mais conhecido como “o quinto Beatle”, devido a sua influência na criação das músicas. Estes arranjos eram impossíveis de ser reproduzidos ao vivo. Os discos Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, Magical Mystery Tour e a obra prima The White Álbum são exemplos disso.
Entre a filmografia da banda, depois do fracasso de Magical Mistery Tour, a animação Yellow Submarine talvez seja a que mais se assemelhe ao videoclipe. Sucesso de público e de crítica, o desenho contou com apenas quatro canções da banda. O último filme, Let it Be, tinha como objetivo documentar os Beatles em seu processo criativo durante a gravação do álbum de mesmo nome. A banda já apresentava indícios de estar a um passo do fim. Os rapazes, nervosos e irritados, brigavam muito entre si, e apresentavam um descontentamento explícito em relação à presença de Yoko Ono, atual mulher de John Lennon. Na memória, só ficou a gravação no telhado da gravadora Apple ao som de Don’t Let me Down.
*Arte da suuper Priscilla Gandine. Valeu Pri!!!!!!!!!!!!!!!!
**Matéria publicada na edição 11 da revista Season.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Poderoso Oskar



Ele escala o Himalaia, pratica snowboard nos Andes e surfa no Taiti. Não gosta do perigo, apenas do belo. É médico, estilista, pai, marido e empresário. Ele é Oskar Metsavaht, proprietário da Osklen, uma das marcas brasileiras mais bem sucedidas no mundo que mistura arte, gosto que aprendeu desde pequeno com a mãe, esportes, fruto da influência do pai, além de tecnologia, natureza e sustentabilidade.E pensar que tudo começou com uma loja de casacos de neve em Búzios! Isso porque o jovem médico esportista Oskar Metsavah, do alto dos seus 25 anos, tinha o estranho hábito de criar casacos de neve para as expedições que fazia com os amigos. O hobby virou Osklen, marca com lojas em cidades como Tókio, Milão, Roma e Nova York. Em passagem recente por Belo Horizonte, para palestra sobre Moda e Sustentabilidade no Centro Universitário UNA, Oskar Metsavah contou um pouco sobre si mesmo, declarou-se apaixonado por tudo que vem de Minas e até descreveu como seria uma coleção inspirada no Estado. Tudo no melhor estilo Osklen.

Sua experiência como médico e praticante de esportes radicais foi a base do começo da Osklen. Como isso aconteceu?
Medicina é uma arte. O médico é um observador do comportamento humano. Do corpo e da psique, o verdadeiro médico é holístico. Isso é que me deu essa experiência. Aquela coisa de analisar o mínimo e criar o diagnóstico. O mínimo é pesquisar materiais, formas, o diagnóstico é chegar à conclusão de sua coleção, e a terapêutica é a estratégia para desenvolvê-la. Isso cria uma certa metodologia.

Como isso te ajuda na moda?
Me ajuda na moda dessa forma. Moda não é só imaginar. Moda é você imaginar e depois de identificar aquilo que observou, misturar tudo, e aos poucos ir criando. Você vai identificando os sinais e sintomas. Depois de juntar tudo de uma forma não matemática, de uma forma lógica mas artística, você começa a criar uma estratégia que é desenvolver a coleção. A outra coisa é que eu não tive uma formação em Design. Eu não tive uma formação de moda. A minha mãe é professora de História da Arte e cursou a faculdade de Filosofia. A minha família materna é de Milão, e eles eram de artistas plásticos e músicos. Então a arte está dentro da minha família.

Foi uma coisa natural...
É cultural. Desde pequeno eu fui sempre envolvido nisso. Eu ajudava a minha mãe a preparar as aulas de História da Arte. E do meu lado paterno, vem a coisa de esporte e da natureza. O meu sobrenome Metsavaht significa em estoniano e finlandês “guardião da floresta”. É muito bacana a história. E a Estônia é o país do mundo que tem a maior área de florestas milenares preservadas. Graças aos Metsavaht. Isto eu descobri quando estive na Estônia agora, porque eu sou Cônsul Honorário de lá. Eu sabia o que significava, mas não sabia que tinha essa história toda. Eu tenho parentes na área ambiental, sempre tive amigos, sempre fazia as minhas expedições, foi uma coisa muito natural. Quanto aos esportes radicais, eu não acho que sejam esportes radicais, são esportes ligados a natureza. As pessoas acham que eu faço esportes perigosos. Eu não faço.

Mas é perigoso, não? Escalar o Montblanc que nem você escalou, por exemplo...
Não, é facil. Eu não vou a lugares que tenham perigo. Eu não faço questão nenhuma de morrer.

Você não sente prazer com o risco?
Não. Eu tenho prazer em lugares belos, tenho prazer de descer montanhas surfando de snowboard, montanhas onde tenham a neve mais perfeita, por isso que eu vou ao Alaska, vou aos Andes, ao Himalaia. E tenho prazer quando eu vou para esses lugares de mergulhar na cultura local, nas filosofias locais, conviver com aquilo e ainda fazer o que eu nem chamo de esporte, porque para mim surfar numa montanha é desenhar em um papel branco.


A Osklen começou através da confecção de roupas técnicas, flertou com o sportwear até chegar à moda propriamente dita. Como foi essa transição?
Foi pensada naturalmente. Não uma estratégia, até porque a Osklen é uma expressão do meu estilo de vida. Acho que o sucesso da Osklen é que ela tem o criador e ao mesmo tempo o empresário. Eu tenho uma liberdade de criação e uma liberdade econômica muito grande. Ela começou com os casacos de neve e as bermudas de montanha, era o início dos esportes de aventura, em 90. Daí em 96 comecei a fazer roupa de surf. Para fazê-la eu criei um novo tecido. Fui para o Taiti, que é o sonho de todo surfista, fiquei testando as bermudas, foi muito inspirador. Voltei, comecei a fazer o surf com o tecido novo, uma qualidade acima do que tinha no mercado, com estampas completamente originais, e com a diferença de já ter usado de verdade. Então quando a Osklen entrou no Surf eu sempre tive muito preconceito de fazer roupa feminina. Quando eu era médico e comecei a fazer roupa todo mundo tinha preconceito. E quando eu fazia roupas técnicas e comecei a fazer roupa de Surf tinha também um preconceito. Este mesmo preconceito que houve quando eu comecei a fazer moda, moda de verdade. Daí no início do ano 2000, o Robert Forrest [consultor de moda britânico] esteve aqui pela primeira vez, viu um desfile que eu fazia esporadicamente no Rio de Janeiro. Eu tinha feito um hippie chic misturado com surf, anos 70, peguei e fiz uma saia com uns tecidos indianos, um vestido e uma saiona para umas modelos entrarem juntas. Só para complementar, para dar o ar indiano dos anos 70. Ele viu o desfile, adorou, foi lá atrás e disse assim: “Oh Oskar eu vi o SPFW, mas eu só vi cópia da alfaiataria européia e da iconografia americana. A primeira vez que eu vejo uma coisa original, própria, autoral, de cara de Brasil e de contemporâneo também, foi você. E o seu feminino é ótimo, maravilhoso!”. E eu falei pra ele assim, “eu não faço feminino!”. Ele na hora sugeriu que eu fizesse um feminino para vender, que ele tinha certeza que várias amigas dele usariam minhas criações.

E foi, é fácil criar para mulher?
Não, não é fácil. Criar para o homem eu sempre faço o que quero vestir. Eu sei ver uma mulher elegante, uma mulher moderna, sensual para mim, no meu estilo, mas é difícil, porque eu não desenho. Então comecei a tentar muitas coisas, porque o homem vê a mulher um pouco diferente do que a mulher gosta de vestir. E daí fui desenvolvendo, junto com a minha irmã, que é artista plástica, e a Juliana, minha assistente de design, as roupas. Para mim a sensualidade da mulher é muito maior no colo, nos ombros e nas costas, e não no decote. Mas às vezes tinha problema na hora de desenhar esse decote, porque vazava no peito. Mas a partir disso eu fui criando a minha própria linha de estilo e evoluindo em cima dela, dessa forma. Mas foi muito difícil. Eu nunca faço uma coisa assim de uma hora para outra. Não, eu vou exercitando. Começo tudo com um papel branco e um risco preto. Então mergulhei totalmente no minimalismo. Eu tenho que exercitar o meu design. Foi uma fase. Aquela coisa: Você é Rio de Janeiro, é cor, é alegria. Eu não sou Rio de Janeiro. Em primeiro lugar, eu sou o Oskar. É um exercício meu. As pessoas categorizam você por um desfile ou pelo que imaginam que é. É um exercício que eu fui passando. Eu disse assim, não sei, estou experimentando. Eu não sei em quanto tempo vai passar essa fase minha. E fui mergulhando.

E a Osklen agrada não só ao Brasil, mas ao exterior também.
Você soube do Marc Jacobs? Marc Jacobs foi à loja em Ipanema e comprou. Ele vestiu um look inteiro da Osklen. A roupa inteira, não uma peça. Quando você veste o look inteiro você está vestindo não a roupa, um estilo. Ele vestiu o estilo de um estilista, que é um significado muito completo.

E essa internacionalização foi natural? As pessoas vieram até você ou você foi até elas?
As pessoas vieram até mim. Porque eu não tenho capital para investir lá fora. Elas que vieram.

A Osklen é uma empresa que apóia o desenvolvimento sustentável. Como é que você acha que a moda e sustentabilidade podem andar juntas?
Antes de tudo, moda é expressão de comportamento contemporâneo. Então a ecologia está presente na vida de todo mundo. A moda é um instrumento para criar desejo e tendência. Ela tem uma certa força na hora de falar com a sociedade Se nós a utilizarmos como instrumento para dizer isso é cool, isso é belo, isso é moderno, fazemos uma campanha política através da moda. Então eu vejo dessas duas formas. E a terceira é a moda como um instrumento do fomento e de desenvolvimento da qualidade desses produtos de materiais e origens sustentáveis.

E quanto ao custo disso? A Osklen é uma marca cara.
Não é. Caro para mim é aquilo que custa mais do que vale. Primeiro, a Osklen não copia nada de fora. Muitas empresas brasileiras viajam, compram tudo lá fora e mandam copiar. É muito fácil. O custo de desenvolvimento de projeto é muito pequeno. Nós não, a gente desenvolve. Cria. Sai do zero. Então é um custo muito alto. Outra coisa: eu procuro usar os melhores materiais possíveis, que nos mínimos detalhes já ficam mais caro. Terceiro, a gente tem exclusividade. Tem peças com a quantidade muito pequena. Não existe mágica de fazer uma coisa com qualidade internacional, originalidade e com uma certa exclusividade com preço mais acessível. E o que prova isso é que a gente tem loja em Tókio, Roma, Milão e Nova York. Se nossos produtos estão sendo aceitos nesses lugares é porque a qualidade deles é melhor do que as outras marcas que estão aqui e não conseguem entrar neste mercado.

A sua marca é muito aceita aqui em Minas. Por que você acha que os mineiros gostam tanto da Osklen?
Eu adoro muita coisa de Minas, da comida a personalidade do povo, eu gosto da auto-estima do mineiro, e de toda a história, inclusive da história da arte. O mineiro para mim é o povo mais fashionista do Brasil. Culturalmente, desde que eu comecei com a Osklen, faz dez anos agora, eu observava isto. E isso é bom. O que é fashionista? Tem gente que acha que é pejorativo, mas na realidade não, é cultura. Você entender de música, de arte, de moda é uma forma de cultura. Eu acho o mineiro mais rico culturalmente em moda, é o povo que mais entende do assunto.

Você acompanha a moda mineira? Tem algum estilista que você gosta?
Gosto do Ronaldo Fraga, da Teresinha Santos. Conheço o Viktor Dzenk, gosto, acho bacana a Graça Otoni também.

Se você fosse criar uma coleção com o tema “Minas Gerais”, de onde tiraria inspiração?
Do minério, da história do minério. Eu já pensei nisso. Eu iria a jazidas, pegaria os cristais, os minérios, de repente jogaria uma luz neles, veria o que refrata, o que forma, ver como é a composição de todos eles, deve dar um padrão interessante de estampa, talvez até de forma também, de laser em um vestido. Junto com isso eu misturaria os minérios, que eu acho que é uma coisa dura, com todo esse barroco de Ouro Preto, Tiradentes. Essa parte artística, muito orgânica que é o barroco, com essa coisa até dura do minério, da forma, de tudo. Acho que daria uma coisa interessante.

Mais algum plano para a Osklen esse ano?
Abro loja em Miami, em um dos projetos de moda mais interessantes dos Estados Unidos. Chama 11 11 Lincoln Road. É um projeto arquitetônico dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron, que fizeram a loja da Prada em Tokyo, o estádio de Beijing e a Tate Modern. Fui convidado para participar do projeto junto com as lojas âncoras como Stella MCartney da Adidas, a Mac Cosméticos e a Taschen Books.
*Entrevista publicada na revista Season 10

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Por uma moda menos ordinária


Desnudar o invisível é o preceito do estilista Jum Nakao. Avesso a ignorância e mediocridade que assola não só a moda brasileira, mas a sociedade como um todo, Jum faz moda e faz pensar. Em 2004, se despediu da São Paulo Fashion Week com o desfile “A Costura do Invisível”, em que roupas minuciosamente trabalhadas no papel foram rasgadas em um grand finale, causando histeria na platéia. Hoje ministra palestras, oficinas e workshops por todo o Brasil com o objetivo de criar um pensamento de moda mais humanístico e questionador. “Eu não moldo roupas, eu moldo pessoas”, afirma. Na moda de Jum Nakao a roupa é o meio, não o fim.

Você começou a cursar Engenharia Eletrônica antes de optar pela formação em artes plásticas e moda. Como esse gosto pela tecnologia se reflete no seu trabalho?
Eu procurei Engenharia Eletrônica porque a minha idéia era trabalhar com artes visuais. Há 25 anos atrás falar em novas mídias, pensar em mundo virtual e internet era loucura, ninguém acreditava. Naquela época fui atrás porque queria trabalhar com aquilo que hoje vejo que não era uma loucura, era uma verdade. Em qualquer exposição de arte, qualquer Bienal, você percebe o quanto a arte eletrônica ocupa o lugar dessas novas mídias. Só que há 25 anos atrás eu queria trabalhar com isso, queria uma base acadêmica, era impossível. Acabei optando por tentar uma outra abordagem. Percebia que a roupa fazia uma interface do que as pessoas tinham por dentro e o entorno, como elas se espelhavam para o mundo. É muito mais fácil trabalhar com esta interface que já existe, que é tão próxima das pessoas, da pele delas, do que falar em algo tão distante quanto as novas mídias. Daí pensei: vou trabalhar com moda.

Na SPFW de 2004 você se despediu das passarelas com um desfile histórico, em que modelos rasgaram as roupas feitas de papel, para mostrar a efemeridade e superficialidade da moda. Pretende voltar às passarelas?
Eu pretendo, é uma forma de preparar um terreno. Hoje eu me dedico muito a essa formação e capacitação de novos estilistas. Eu estou aqui fazendo com que mais pessoas acreditem que moda não é roupa, é muito mais. E que a roupa no final se torna apenas o meio da moda se prestar. Tanto que eu tento formar, vamos dizer assim, uma legião de pregadores, que vão conseguir preparar e semear para que um dia a moda seja possível. Acho que existe ainda um analfabetismo neste país absurdo, que as pessoas não percebem.

Acha que existe um preconceito em relação à moda?
Não só em relação à moda, existe um preconceito em relação a tudo que é imaterial, existe um preconceito em relação ao saber. Quais são os valores da nossa sociedade? Os valores são sempre materializados. Aquilo que está por trás, que gerou, como é feito. As pessoas não estão nem aí. Querem mostrar uma coisa que elas não sabem como é feito, por quem é feito. Só querem saber quanto custa e qual é a marca. É sintoma de um país analfabeto, que precisa trabalhar a educação.


O “Costura do Invisível” surgiu dessa necessidade de uma postura mais crítica?
Mostrar que não importa que seja feito de papel, importa como é feito e porquê é feito. Importa sim aquilo que é invisível, que é imaterial. Tanto é que este desfile foi destruído, foi desmaterializado e está presente na memória das pessoas. A possibilidade de você tentar, evoluir e sensibilizar é muito mais descobridora e transformadora. Você não pode cristalizar um personagem, cristalizar uma mesmice. Eu acho que o importante é as pessoas perceberem que elas estão anestesiadas.

Atualmente há algum estilista que você destaca na moda brasileira?
Tem vários estilistas que considero talentosos, mas eu acho que o grande problema ainda é educar o consumidor. Enquanto o consumo demandar mediocridade, as indústrias vão abastecer a população com mediocridade. É isso que o povo quer. Se o consumidor exigir, eles vão mudar. Então a única forma das coisas mudarem é através das pessoas. Se é para transformar o mundo, transforme as pessoas. Invista na educação. Aí sim você vai ter um mundo melhor. É aquela velha besteira de falar de sustentabilidade e usar produtos sustentáveis fabricados na China. No seu entorno você está criando uma grande exclusão social de mão de obra. Aquele cara que antes tinha um mercadinho, um ofício, acaba. Aquilo se degrada socialmente. Isso implica nas pessoas não olharem para grifes sustentáveis, mas terem atitudes sustentáveis.

O que é ser sustentável para você?
É pensar de forma mais humanística, não nas vantagens. Pensar como nação, não individualmente. É perceber que você não mora em uma casa, mas em uma rua, cidade, você mora em um país. Você tem que se importar com o que está ao seu lado, não somente com as pessoas, mas com tudo. A transformação começa em você.

Você tem se dedicado bastante à área acadêmica, proferindo palestras e workshops sobre moda, design, e tudo o que se refere ao processo de criar. Tem recebido um feedback positivo dos seus alunos? Acha que está cumprindo sua tarefa?
Tenho. Eu estou fazendo aquilo que eu coloco como base, que é a educação. Estou capacitando novas pessoas a sair do estado de dormência. Fazendo com que elas se tornem agentes transformadores.

Qual a sua dica para os futuros estilistas brasileiros?
Pense nas pessoas, não pense na roupa. O prédio que você está, a cadeira que você está sentado, as ruas, as casas, o trajeto que você fez para chegar até aqui, tudo foi desenhado. Você acorda em um ambiente que tem informação de design. Se simplesmente pensar em desenhar mais um objeto, mais uma roupa, não vai cumprir o preceito mais importante do design, que é um homem melhor. O que fazer para desenhar um homem melhor.


Acha que o Brasil tem capacidade para esse pensamento humanístico da moda?
O Brasil tem, começa pela educação. Não adiante falar em educação pensando em um diploma de faculdade. Não é isto que vai salvar uma pessoa. Começa em casa, estabelecendo valores.

Você tem algum projeto para crianças?
Estou com vários projetos para crianças. Quero dar aula para professores da rede primária. Mas eu acho que o MEC deveria repensar a educação. A mudança nunca pode ser pensada em um ambiente núcleo, e sim como um todo. Acho que a educação só faz sentido como um todo. Está tudo errado, se você pensar. Olhe para os lados e veja o que está acontecendo. Acho que está muito claro que o mundo está pior, para onde as coisas estão caminhando.

Você tem esperanças?
Eu tenho, por isto estou aqui. Acho que se eu formar nesta oficina 20 pessoas, não vai ser só eu brigando contra tudo.
*Entrevista para a revista Pátio Lifestyle nº 15

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Misturinhas de Verão


A estação mais quente do ano abre as suas portas. Reunimos quatro tendências que serão sucesso certo no Verão. Use e abuse das peças-chaves da estação!

Nude e Neón

O tom nude, tendência forte neste último Inverno, continua no Verão, mas com algumas adaptações. Para não deixar o look sem graça, invista em detalhes de cores flúor, outra forte tendência da estação. O segredo é saber misturá-los de forma original e contemporânea.

Alfaiataria

Em tempos de crise, o clássico é a melhor opção. Para sair da mesmice a dica é investir em peças que tenham seus diferencias em pequenos detalhes. O blazer tradicional pode virar um vestido e a tradicional calça de alfaiataria ganha releitura fashion nas suas formas, que ganham ares modernos quando misturadas com acessórios que fazem a diferença.

Praia chique

Para tomar um banho de sol, nada melhor do que a combinação cortininha e tanguinha dos biquínis brasileiros. Cansados dela estão os estilistas, que nas suas coleções de Verão 2010 investiram em maiôs com recortes e tecidos diferentes, como o vinil. Os biquínis aumentam no tamanho, e vão da praia ao restaurante com naturalidade. Basta combiná-los com uma bela calça ou camisa, que faz as vezes da saída de praia.

Camisetas

As camisetas, antes relegadas aos adolescentes, ganham status fashion ao serem incrementadas com paetês, cristais e bordados. A dica é usar com looks mais tradicionais, mistura interessante para quem gosta de descontração.


*Arte de Rangel Malta (Valeu Rangel!)

*Matéria publicada na revista Pátio Lifestyle nº 15

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Rúbia vai com a Cris


A sortuda ganhadora da promoção Hoje vou com a Cris é a Rúbia Winter da Costa. Ela vai ganhar R$2.000,00 em compras no Diamond Mall com assessoria da blogueira Cris Guerra. A frase que ela escreveu foi a seguinte:

"Pra passar uma tarde de primavera no DiamondMall, eu me vestiria toda de branco, assim como uma tela que espera pelo artista para ser pintada; usaria como acessório um belo sorriso nos lábios e uma vontade enorme de ser feliz, como nos inspira a estação mais colorida e gostosa do ano.”

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Acervos Particulares


Quem é apaixonado por moda não pode perder a exposição Museu Capital da Moda, que acontece na galeria da Escola de Belas Artes da UFMG, aqui em BH. Uma iniciativa muito bacana para os fãs de moda+conteúdo, que pretende movimentar a área "modística" da capital mineira. A exposição consiste na mostra de vestidos, casacos, bolsas e chapéus, do século XIX e do século XX. Mais informações no site http://www.museucapitaldamoda.com.br/

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O jeito Marni de ser

Lembra quando você era criança e na escola você aprendeu com as suas coleguinhas que o certo era combinar a cor do sapato com a bolsa e a nunca misturar estampas? Pois bem, esqueça tudo o que você aprendeu. Em épocas de globalização, as regras vão por água abaixo. O trendy é misturar. Que o diga Consuelo Castiglioni, estilista da Marni.











terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pense mais

Um evento para quem gosta de pensar moda. Assim será o Moda +, uma série de palestras super bacanas com profissionais que fazem e acontecem. Para saber mais, clique aqui.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Weardrobe!

Um site colaborativo em que as participantes postam fotos vestindo seus looks favoritos. Assim é o Weardrobe, uma fonte de pesquisa maravilhosa para os personal stylists de plantão ou mesmo para quem está em busca de looks diferentes. Para vestir e se divertir!