quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Moda por Walter Benjamin

O filósofo alemão Walter Benjamin, homem à frente do seu tempo, como era de se esperar, reuniu em seu livro Passagens pequenos trechos sobre a nossa tão querida moda. Segue abaixo uma seleção dos trechos mais legais.

"Cada estação da moda traz em suas mais novas criações alguns sinais secretos das coisas vindouras. Quem os soubesse ler, saberia antecipadamente não só quais seriam as novas tendências da arte, mas também a respeito de novas legislações, guerras e revoluções — Aqui, sem dúvida, reside o maior encanto da moda, mas também a dificuldade de torná-lo frutífero."

"Formulação minha: O eterno, de qualquer modo, é, antes, um drapeado de vestido do que uma idéia."

"A moda consiste de extremos. Como ela, por natureza, procura os extremos, nada mais lhe resta ao abandonar uma determinada forma senão remeter-se extamente ao seu contrário. Seus máximos extremos: a frivolidade e a morte."

"Nascimento e morte — o primeiro, pelas circunstâncias naturais; a segunda, por circunstâncias sociais — limitam consideravelmente a margem de liberdade da moda, quando se tornam atuais. Este estado de coisas é realçado por uma dupla circunstância. A primeira refere-se ao nascimento e mostra como a recriação natural da vida é "superada" pela novidade no domínio da moda. A segunda refere-se à morte. No que concerne à morte, ela não aparece menos "superada" na moda, quando esta liberta o sex appeal do inorgânico."

"As modas são um medicamento que deve compensar na escala coletiva os efeitos nefastos do esquecimento. Quanto mais efêmera é uma época, tanto mais ela se orienta na moda."

"Uma perspectiva definitiva sobre a moda oferece-se apenas pela observação de como para cada geração aquela que a precedeu imdetiatamente parece ser o antiafrodisíaco mais radical que se possa conceber. Com este julgamento, ela não está tão errada como se pode imaginar. Há em cada moda algo de sátira amarga do amor, cada moda contém todas as perversidades sexuais da maneira mais impiedosa possível, cada uma comporta em si resistências secretas contra o amor. Vale a pena confrontar-se com a seguinte observação de Grand-Carteret, não importa quão superficial ela seja: "É pelas cenas da vida amorosa que se percebe, na verdade, aparecer todo o ridículo de certas modas. Estes homens, estas mulheres, não são eles grotescos em gestos, em poses, pelo topete extravagante em si mesmo, pelo chapéu de copa alta, pelo redingote ajustado à cintura, pelo xale, pelos chapéus de abas largas, pelos pequenos borzeguins de tecido?" O confronto das gerações passadas com as modas tem então uma importância muito maior do que se imagina habitualmente. E é um dos aspectos mais importantes do costume histórico de empreender isso sobretudo no teatro. A partir do teatro, a questão do costume penetra profundamente na vida da arte e poesia, nas quais a moda é, ao mesmo tempo, mantida e superada."

Tá bom ou quer mais? ;)

7 comentários:

Francielle da Maia disse...

Anaa, adorei essa matéria.. os trechos deste livro são incriveis.. o cara manda bem =)

www.francielledamaia.wordpress.com

Bjos querida!

Lorena Martins disse...

Conheci o Walter na minha aula de história conteporânea, na faculdade. Um tanto que eu aprendi sobre moda e passagens, não foi brincadeira. ótimo ter ele comentando por aqui
:)

Márcia Mesquita disse...

eu tenho trauma do benjamin porque tive que ler "A Obra de Arte na Era de Reprodutibilidade Técnica" umas 5 vezes na faculdade hauehuaeh

bjs

Anônimo disse...

Vocês realmente entenderam o que este filósofo disse?
Cuidado para não banalizarem o seu texto.
Lembrem-se: Sua escritura sobre a História é alegórica.

Ana Helena Miranda disse...

"Sendo impossível entendê-lo, sei que se eu o entender é porque estou errando" Clarice Lispector

Anônimo disse...

O que tu fez com Walter Benjamin é o mesmo que eu faria ao meio das suas pernas!

Anônimo disse...

Tb achei gozado!